Anestesia para Harmonização Orofacial

Anestesia em carpule

Existem diversos procedimentos estéticos para alterar aspectos indesejados na face do paciente. Inclusive, muitos deles podem ser utilizados como tratamento funcional, corrigindo algum problema ou disfunção. Enfim, muitos podem ser dolorosos ou proporcionar desconforto aos pacientes. É por isso que, em alguns casos, é necessário fazer o uso de anestesia para Harmonização Orofacial (HOF).

Mas antes de começar a utilizar, você precisa entender a diferença entre anestésico tópico e local.

Anestesia para Harmonização: tópica e local

“Na primeira avaliação do paciente para a estética de harmonização orofacial, a principal pergunta que você deve fazer é: qual o seu nível de dor? Este paciente que nos procura, normalmente quer um resultado estético, mas ele não imagina qual é a dor. O paciente sempre vai buscar um conforto através da anestesia local ou até mesmo da anestesia tópica.”

Dr. Rafael Evaristo, Implantodontista e Cirurgião Buco-Maxilo-Facial

A anestesia tópica é bastante utilizada, porque bloqueia os canais iônicos, o que impede que os neurotransmissores ajam. Ela auxilia na redução da dor durante a punção da agulha, mas só provoca a anestesia temporária da epiderme.

Já o anestésico local tem uma ação mais abrangente. De acordo com a Sociedade Brasileira de Anestesiologia, ele “pode ser definido como um fármaco que bloqueia a transmissão do estímulo nervoso no local onde for aplicado, de forma reversível, sem proporcionar mudanças no nível de consciência do paciente.”

A anestesia para harmonização ainda pode ser dividida conforme sua química, definida como éster e amida.

Os ésteres são instáveis em solução, mas facilmente metabolizados no plasma. Incluem a cocaína e a ametocaína. Já as amidas têm metabolização hepática e são mais estáveis. As mais conhecidas são a lidocaína, bupivacaína e prilocaína, sendo que a mais utilizada é a benzocaína.

A maior diferença clínica entre elas é a estabilidade. As amidas por serem termoestáveis, podem sofrer o processo de autoclave. Isso já não acontece com os ésteres. Além disso, estes fármacos produzem diversos graus de vasodilatação. Conforme o Guia Terapêutico Odontológico, este processo auxilia no período e na velocidade de absorção do medicamento.

Fatores que afetam a ação dos anestésicos

Como todo medicamento, existem alguns fatores que podem afetar a ação da anestesia para harmonização facial. Por isso, você precisa conhecê-los para realizar uma aplicação anestésica com segurança.

  • Efeito do pKa: é o pH de um medicamento, onde metade dele é ionizado e a outra metade não é. Se o anestésico conter muita afinidade com o hidrogênio, isso demonstra um pKa elevado, causando demora na ação do medicamento sobre o nervo.
  • Lipossolubilidade de um fármaco: determina sua penetração na membrana celular. Quanto mais lipossolúvel, mais rápida é a sua ação. Assim sendo, esta propriedade afeta a potência do anestésico. Um exemplo é a comparação entre a bupivacaína e a lidocaína. A bupivacaína é altamente lipossolúvel, tornando-a 4 vezes mais potente que a lidocaína.
  • Ligação proteica: quanto maior for a ligação proteica, mais duradouro será o efeito. Entretanto, este efeito tem ligação com a toxicidade, pois os anestésicos se ligam às proteínas plasmáticas. Portanto, se a ligação for maior, uma quantidade menor do fármaco chegará ao coração e cérebro. E se for menor, mais fármaco chegará a estes órgãos.
  • Atividade vasodilatadora: sua ação é diretamente proporcional, porque quanto maior for a vasodilatação, maior quantidade do medicamento cairá na corrente sanguínea e mais rápida será sua ação. Isso pode gerar alta toxicidade, por isso alguns anestésicos contém vasoconstritores, para evitar que isso aconteça.

Veja também: Guia de materiais injetáveis para Harmonização Orofacial

Anestesia com Vasoconstritores

Os vasoconstritores têm diferentes ações no tecido, como a diminuição do fluxo sanguíneo na região e o aumento da duração do fármaco. Isso acontece porque eles retardam a absorção do fármaco pelo organismo.

Com isso, as anestesias com vasoconstritores não precisam ser utilizadas em grandes doses. De acordo com o livro Farmacologia clínica para dentistas, de Wannmacher L, o uso deste artifício diminuí em 50% a dose sistêmica de um determinado anestésico.

Existem 2 tipos de vasoconstritores: amina e felipressina.

As aminas simpaticomiméticas atuam diretamente nos receptores adrenérgicos como: a adrenalina, a noradrenalina, a catecolamina, a levonordefrina, a isoproterenol e a dopamina. Também existem as aminas não catecólicas que realizam uma ação indireta, onde liberam a noradrenalina das terminações nervosas adrenérgicas, diferentemente das diretas.

Já a felipressina está presente somente em anestésicos de prilocaína, é análogo sintético da vasopressina. Costuma-se indicá-la para pacientes com disritimia, hipertensão e cardiomiopatias graves.

Contraindicações do uso de vasoconstritores

Não se deve indicar anestésicos com vasoconstritores para pacientes portadores de comorbidades cardiovasculares graves. Sua ação na musculatura do coração pode proporcionar um efeito adverso. Pacientes com disfunções de tireoide, diabetes e sensibilidade ao sulfito também não devem utilizar este tipo de anestésico. Isso porque pode apresentar sulfito em sua composição. O problema disso é que a adrenalina age no metabolismo da glicose.

Pessoas que utilizam inibidores da MAO (imipramínicos) já possuem quantidades elevadas de adrenalina no sangue. E o uso deste tipo de anestésico pode promover uma interação indesejável. Além disso, aqueles que realizam uso de beta-bloqueadores também possuem altos índices de adrenalina do corpo, portanto podem ter hipertensão.

Aplicação de anestesia para Harmonização Facial

De acordo com o Dr. Diogo Melo, um tipo de procedimento que necessita de anestesia para o conforto do paciente são os preenchimentos faciais. Um exemplo específico é o preenchimento labial, onde você pode iniciar com a aplicação de anestésico tópico no local da injeção e depois aplicar uma anestesia infiltrativa infraorbitária e mentoniana.

Dica: a anestesia infraorbitária, quando feita próximo de asa do nariz, proporciona melhor vasoconstrição, possibilitando um campo maior de trabalho sem sangramento. Não é indicado aplicar anestesia na pele.

A anestesia para Harmonização Orofacial não precisa ser de longa duração. A mais indicada é a Lidocaína a 2% com vasoconstritor, com uma agulha 30G em carpule ou em seringa de 3ml luer lock. Mas antes é necessário analisar a condição sistêmica do paciente.

Leia mais sobre tipos de agulhas aqui.

Como ter segurança na aplicação de anestesia para harmonização?

Uma das melhores medidas de prevenção de intoxicação por anestésicos é evitar a injeção intravenosa do medicamento. Além disso, respeitar os limites de uso de cada medicamento. Se for necessário, deve-se realizar dose-teste para cada procedimento.

Também é preciso evitar que o anestésico atinja mais membranas excitáveis, sendo por sobredose, absorção anormal ou injeção em vasos sanguíneos. Isso porque as principais membranas atingidas são as do sistema nervoso central e as do coração.

De acordo com o artigo de José Carvalho, publicado na Revista Brasileira de Anestesiologia, existem 2 conceitos que auxiliam o uso seguro dos anestésicos locais. Primeiramente, quanto maior for a potência do medicamento, maior será sua toxicidade. Em segundo lugar, o sistema nervoso central é mais sensível que o cardiovascular.

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