PMMA: Quais são os riscos de usar esse material?

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O PMMA, ou polimetilmetacrilato, foi por muito tempo o produto favorito das clínicas de estética. Mas atualmente, é considerado um material muito polêmico na Harmonização Orofacial (HOF). Mas por quê?

Ele é um material injetável que, apesar de ser biocompatível, não é fagocitado pelo nosso corpo, por causa das características do produto em gel. Isso acontece porque o PMMA se encapsula no local de aplicação e se integra ao tecido. Ou seja, o organismo não consegue absorvê-lo, como acontece com o ácido hialurônico.

E qual é o problema disso? Em casos de intercorrências graves e complicações tardias é necessário realizar uma cirurgia para retirar o material. Mas o problema não para por aí!

Quer saber mais sobre esse material injetável permanente?

Continue lendo o artigo para não colocar seu paciente em risco!

Por que ainda existe procura pelo PMMA?

Nós começamos falando este artigo sobre a fama que o PMMA possuía, justamente porque proporcionava resultados imediatos e duradouros. Isso agradava tanto profissionais quanto pacientes, sem mencionar que era um material barato. E o que mudou?

Bom, ele tem um risco bem grande de causar intercorrências nos procedimentos

A Anvisa libera o uso do PMMA para preenchimento cutâneo de pequenas áreas. Por exemplo, para a correção de rugas e restauração de volume perdido com o tempo. Muitos profissionais de HOF também utilizam o produto para modelar o nariz, queixo e corrigir cicatrizes.

Contudo, o presidente Níveo Steffen da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) não recomenda o uso. Ele já fez uma declaração sobre o material:

“Há vários produtos biocompatíveis e seguros, como o ácido hialurônico, que faz parte do corpo e é absorvível. O PMMA é barato, definitivo e traz um monte de riscos, mas as pessoas se enganam pelo sonho, pela mentira, pela fantasia.”

Contraindicações do PMMA

A Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) soltou uma nota frisando a restrição do uso do PMMA e contestando as indicações da Anvisa. Com ela, também estão a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica e o Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp). As entidades pedem que a Anvisa “se retrate publicamente e reordene as recomendações de uso do PMMA,” por conta dos diversos casos de complicações.

Na nota, ainda ressaltam que antigamente as indústrias utilizavam o polimetilmetacrilato na confecção de vidros e similares. Sua biocompatibilidade foi vista muito tempo depois, para casos específicos de cimento ortopédico e confecção de lentes.

Além disso, há outras contraindicações para o uso polimetilmetacrilato em pacientes:

  • Alergia à lidocaína;
  • Alergia ao colágeno bovino;
  • Tendência à formação de cicatrizes;
  • Feridas recentes ou em processo de cicatrização;
  • Espinhas e cistos no local da aplicação.

A recomendação dos médicos da SBCP e da SBD é que ele seja apenas utilizado para o preenchimento facial para corrigir lipodistrofia, em pessoas com HIV.

Leia também: Materiais injetáveis para Harmonização Orofacial

Polimetilmetacrilato com Colágeno Bovino

O PMMA com colágeno bovino é injetado sob a derme e tem uma estrutura bifásica. O produto é composto por microesferas homogêneas de polimetilmetacrilato, composta de colágeno bovino com adição de lidocaína, que ficam em suspensão na fase líquida. Ou seja, a fase líquida transporta a fase sólida, que contém o implante permanente.

Entretanto, mesmo com a associação ao colágeno bovino, a taxa de incidência de dermatomiosite e de polimiosite é estatisticamente alta. Então, por ainda apresentar altos riscos ao paciente, é necessário realizar um teste cutâneo para saber se é seguro realizar o procedimento.

Complicações do Polimetilmetacrilato

Como já falamos anteriormente, o PMMA é um material injetável permanente que não é absorvido pelo corpo humano. Por isso, pode gerar algumas complicações. A Revista Brasileira de Cirurgia Plástica (RBCP) classificou as complicações em duas divisões: agudas e crônicas. Estas são as agudas:

  • Embolia vascular: obstrução de artérias do pulmão por coágulos, impedindo a passagem do sangue.
  • Necrose: estado de morte de células, tecidos ou órgãos.
  • Reação alérgica: derivada do uso sem teste cutâneo prévio.
  • Infecção: advinda de erros do profissional, falta de antissepsia do local, ou do próprio produto.

Em seguida, temos as complicações crônicas:

  • Reação inflamatória crônica: aparece após repetidas agressões ao tecido.
  • Granulomas: surgem em resposta a uma reação inflamatória crônica, onde os macrófagos são as células predominantes no tecido.
  • Deformidades faciais: pode ocorrer através da movimentação do produto, ou até mesmo após uma complicação aguda.

Além disso, a intervenção cirúrgica também pode causar riscos ao paciente. O rompimento das cápsulas durante a a cirurgia de remoção, pode fazer com que macrófago fagocite o produto e cause uma reação inflamatória granulomatosa.

Esse mesmo problema pode acontecer se o profissional realizar um outro procedimento no mesmo local do PMMA, porque a agulha também pode romper as cápsulas. Por isso, é importante realizar uma anamnese completa do seu paciente, para conhecer todo seu histórico. Sabendo disso, você conseguirá realizar um planejamento correto para ele.

O que utilizar ao invés do PMMA?

O PMMA é um material que pode apresentar muitos riscos ao paciente. Então, o profissional de harmonização que decidir utilizá-lo em seus procedimentos, precisa ter pleno conhecimento para saber aplicá-lo e agir caso haja alguma intercorrência.

Assim sendo, é mais seguro que os profissionais, principalmente os iniciantes, escolham produtos mais fáceis de serem trabalhados, como é o caso do ácido hialurônico (AH). Além de ser mais seguro, também é possível reverter o procedimento com a hialuronidase, uma substância que o dissolve.

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Mas como bem sabemos, não adianta apenas utilizar o material mais confiável e conhecer a melhor técnica. Você precisa garantir que está realizando o procedimento da forma mais segura e correta possível.

Por isso, precisa realizar uma anamnese completa do seu paciente para identificar seu histórico de saúde e procedimentos e utilizar essas informações para fornecer o melhor procedimento para ele. Dessa forma, você garante a segurança do seu paciente e a sua segurança jurídica.

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